Sidney Miller de “Pois é, Pra Quê?”  completaria 73 anos nesta quarta (18)

Artista de brilho intenso e fugaz, um dos letristas mais pungentes de sua geração, o cantor, compositor, arranjador e produtor carioca Sidney Miller passou como um relâmpago na história da música brasileira do século 20. Apadrinhado por Nara Leão, também fascinada pela obra de Chico Buarque, com quem Sidney era frequentemente comparado, depois de pequenos êxitos em festivais, o jovem compositor assinou cinco canções do álbum “Vento de Maio”, lançado por Nara em 1967. Foi o estopim para que logo ele debutasse em um LP epônimo da Elenco, lançado naquele mesmo ano. Nos breves 15 anos de sua carreira, lançou outros dois álbuns, o segundo, também pela Elenco, reverberava, com um viés crítico, a estética tropicalista de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Rogério Duprat.

Lançado em 1968, “Brasil, do guarani ao guaraná” (ouça nos comentários) contou com as participações de, entre outros, Nara, Paulo Moura, Oberdan Magalhães (futuro líder da Banda Black Rio), Paulinho da Viola e Jards Macalé. Com colaborações de Chico Batera, Danilo Caymmi, Tonhinho Horta, Novelli e Tenório Jr, “Línguas de Fogo” (Som Livre, 1974), encerra a discografia do artista. Suas criações, no entanto, não se restringiram ao universo da canção popular.

Em 1967, por exemplo, Sidney assinou, ao lado de Théo de Barros, Gil e Caetano, a trilha sonora da peça “Arena Conta Tiradentes”, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Como produtor, criou a quatro mãos, com Paulo Afonso Grisoli, os espetáculos “Yes, Nós Temos Braguinha”, uma homenagem ao mestre João de Barro, e “Carnavália”, enorme sucesso de público protagonizado pela cantora Marlene. Foi também um dos autores do espetáculo “Alice no País do Divino Maravilhoso”. Funcionário do Departamento de Projetos Especiais da Funarte do RJ, Sidney preparava um quarto álbum autoral quando, aos 35 anos, foi encontrado morto em seu apartamento no bairro de Laranjeiras, vítima de uma parada cardíaca fulminante. Ele completaria hoje 73 anos. No segundo comentário, a letra de “Pois é, Pra Quê?”, uma das 13 canções do álbum “Brasil, do guarani ao guaraná”, e que dimensiona a força lírica de Sidney Miller. Foto: Reprodução / Funarte. #PratodoDiaInforma.